─ a cozinha do Candomblé é uma biblioteca, você aprende tudo dentro da cozinha [...] se você estiver dentro da cozinha lavando um copo, você aprende. Você aprende tudo, porque tudo parte da cozinha, o ebó vem da cozinha, [o] limpar de um bicho vem da cozinha, o pai de santo entra na cozinha para ver como estão as coisas e do nada sai o aprendizado. Ele fala ‘sabe por que você está mexendo nessa folha? Essa folha foi assim, assim e assim’ [até] se você fizer um café você aprende alguma coisa, tudo parte da cozinha (IAÔ DE OXUM).
Gosto da ideia da biblioteca, no sentido de que podemos pensar a cozinha de um terreiro enquanto um espaço onde estão ordenadas e catalogadas coleções de conhecimentos. Porém, diferente dos livros ordenados e dispostos em estantes, os saberes produzidos e acionados dentro da cozinha de santo são saberes que circulam e que estão em constante movimento. Em última instância, é no movimentar- -se que os filhos de santo aprendem, assim, o conhecimento que parte da cozinha, ou que nela é desenvolvido, se dá na medida em que o filho ou filha de santo está trabalhando em outras palavras, se você estiver dentro da cozinha lavando um copo, você aprende. Sendo, portanto, o trabalho dentro do terreiro a mola propulsora do conhecimento.
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